No Brasil, as fontes de energia hidráulica, eólica e da biomassa, alternam-se em sua máxima produção. Nos meses em que os ventos diminuem, as chuvas aumentam. E se ambos estão no mínimo, é a safra da cana que está no máximo.

Por isso, se as autoridades do setor elétrico não dificultassem tanto a expansão das fontes renováveis, usaríamos as termoelétricas a petróleo apenas nas emergências sem gastar 32 bilhões para tentar escapar do apagão.

Com a imagem ao lado é possível entender a importância destes setores para o Brasil: como elas ajudam contra apagões e complementam a ausência das demais.

 

BRASIL E ENERGIAS RENOVÁVEIS

O uso de termoelétricas a petróleo há quase dois anos, é fruto da falta de planejamento e de qualquer interesse real em usar energia limpa e sustentável ou então é fruto de uma escassez proposital, voltada para o aumento das tarifas, como aconteceu na década de 90, quando, de forma intencional, o governo parou de investir em geração.

O potencial renovável não aproveitado no Brasil é enorme. E ele seria colocado a favor da sociedade, se as autoridades do setor elétrico cumprissem o art. 23 da Lei 12.783/2013 que as obriga a:

“VI – promover a competitividade da energia produzida a partir de fontes eólica, termossolar, fotovoltaica, pequenas centrais hidrelétricas, biomassa, outras fontes renováveis e gás natural”

A lei é clara e se fosse cumprida pelas autoridades, teríamos mais 160 GW em hidrelétricas, mais 150 GW em eólicas, mais 23 GW em bagaço de cana e mais 110 GW para novas fotovoltaicas, tudo já inventariado e identificado.

Contudo, a imposição de preços totalmente inexequíveis para as energias renováveis pela EPE afugenta os investimentos neste setor. E tem obrigado o país a depender cada vez mais, das termoelétricas e também das grandes hidrelétricas, como mostra o gráfico abaixo, que mostra a energia comprada pelo governo nos leilões dos últimos oito anos.

As termoelétricas fósseis (barra preta) ficaram com 38,% do total e as grandes hidrelétricas na Amazônia com 37% do total comprado. Juntas, térmicas e grandes usinas, perfazem 75% ou mais de 55.000 MW para um total que hoje é de 77.000 MW!

Ou seja: as fontes renováveis, como PCHs, eólicas,biomassa juntas ficaram com menos de 25%, sendo que as PCHs são as únicas que podem gerar energia no período úmido,com menos de 1%!

Acontece que as grandes hidrelétricas na Amazônia enfrentam muitas dificuldades ambientais, que atrasam as obras e colocam os consumidores frente a um sério dilema: concordar com tarifas maiores das termoelétricas ou submeter-se ao apagão?

Como vimos acima, as energias renováveis são abundantes e cíclicas, mas se não forem compradas de forma equilibrada entre si, não conseguiram completar a plena carga o ciclo de um ano. Uma vez que a EPE, fixando preços inexequíveis, quis comprar só 1% de energia de pequenas hidrelétricas, será preciso, ligar mais termelétricas para completar o ciclo das eólicas e da biomassa.