Workshop de Energias Renováveis marca o início de uma nova era para o desenvolvimento sustentável no oeste da Bahia

Cleber Leites da ABRAPCH mostrou as diversas vantagens das CGHs e PCHs. | Imagem: Divulgação

Exauridos de tanto reclamar da deficiência no suprimento de energia, da falta de redes distribuição, das más condições das redes elétricas no campo e da péssima qualidade da eletricidade provida pela concessionária, produtores do oeste baiano, representados pelos Sindicatos dos Produtores Rurais ligados ao sistema da Federação da Agricultura do Estado da Bahia (FAEB/SENAR) e pela Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (AIBA), juntamente com a Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e o WorldWatch Institute (WWI), realizaram na tarde do dia 28 de setembro o Workshop sobre Energias Renováveis no Agronegócio.

O evento superou todas as expectativas e reuniu no Auditório do Sindicato dos Produtores Rurais de Luís Eduardo Magalhães (SPRLEM) cerca de 250 agricultores, representantes das agroindústrias, técnicos e estudantes, interessados em escrever uma nova história para o futuro da região através da autossuficiência energética e da geração distribuída proporcionada pelas energias renováveis alternativas.

Após a abertura realizada pela Presidente do SPRLEM Carminha Missio, que destacou a importância de trazer o worshop para região, otimizando e levando aos produtores a possibilidade de cada um poder criar sua própria fonte de energia produtiva, o palestrante Eduardo Athayde da WWI deu o tom do que seria o evento: gerenciamento do conhecimento com o olhar do futuro. Ele fez diversas proposições de como a região, que tem um tremendo potencial de solo, água e energia a ser explorado, pode negociar para atrair os investimentos internacionais.

O Prefeito de Luís Eduardo Magalhães, Oziel Oliveira, afirmou o compromisso em implementar uma matriz energética diversificada e limpa para alavancar os empreendimentos agroindustriais e gerar mais empregos na região.

Ao longo do evento foram apresentadas cinco alternativas para a produção de energias renováveis: energia solar, eólica, energia da biomassa, biogás e PCH/GCHs.

A energia solar, principalmente a fotovoltaica, foi bastante enfatizada no Workshop, com apresentações de André Barboza do Centro de Consultoria e Treinamento Solar (CTS), André Weber da SunHybrid e Marcos Weirich da Fockink. Ficou evidente que, em virtude da alta radiação na região, seja no sistema on-grid (ligado à rede de transmissão) ou off-grid (sistemas isolados), a energia solar apresenta grande viabilidade para redução dos valores das contas de energia dos consumidores de pequena ou grande escalas, para geração distribuída em fazendas solares, ou bombeamento de água, inclusive para tocar sistemas de irrigação maiores, como pivôs centrais, muito comuns na região.

O Sandro Yamamoto da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) demonstrou como aproveitar os ventos para produzir eletricidade. Segundo Sandro, a região ainda tem seu potencial eólico relativamente desconhecido. Entretanto, há indicativos suficientes para justificar a instalação de medidores mais precisos, que visam justificar economicamente a instalação de parques eólicos para gerar energia de baixo custo que atuam na complementariedade ao sistema convencional, inclusive contribuindo com estabilização da rede. Outro ponto de alta relevância foi a apresentação do mercado livre de compra de energia, que pode resultar em economia de 10 a 20% na conta dos grandes consumidores.

A geração de energia por meio da biomassa foi tema da palestra do Dr. José Dilcio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), que evidenciou a conversão do material vegetal que sobra das plantações em eletricidade ou biocombustível. Nesse contexto, o biogás que é gerado na fermentação da matéria orgânica foi bem explorado nas apresentações do Dr. Water Stinner, do Centro Alemão de Biomassa que falou diretamente da Alemanha, do Prof. Danilo Gusmão do Centro de Energias Renováveis da Universidade do Estado da Bahia e de Marcos Weirich da Fockink. Ficou claro que o aproveitamento dos resíduos agrícolas, animais ou vegetais, das agroindústrias, e até mesmo das cidades, é definitivamente uma alternativa a ser trabalhada. Na superação dos desafios de inovação tecnológica da utilização da biomassa, as empresas podem auxiliar as instituições de pesquisa através da Lei do Bem, que criou incentivos fiscais para realização de experimentos aplicados.

As Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGH) e Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH) foram apresentadas pelo Cleber Leites da ABRAPCH, que ressaltou o baixo impacto ambiental e o baixo custo da energia geradas por esses empreendimentos. Outro ponto evidenciado foi o grande potencial hídrico da região, que pode ter os reservatórios de água para ambos: irrigação e produção de energia. Ao contrário do que se pensa, as PCHs e CGHs não reduzem a vazão dos cursos d’água.

Ao final, Carminha Missio e o Prof. Danilo Gusmão enfatizaram a viabilidade técnica e econômica de projetos de energias renováveis na região, não somente como alternativas, mas como atores principais no fornecimento desse insumo primordial para o desenvolvimento nas fazendas, ou como um novo e atrativo negócio que está surgindo na região com a geração distribuída, promovendo segurança energética, economia e sustentabilidade.

 

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Fonte: Canal Energia.