LER: portaria sinaliza que governo está compromissado com setor

A portaria nº 390 do Ministério de Minas e Energia, publicada nesta quinta-feira, 28 de julho, que trouxe a confirmação da realização de dois leilões de energia de reserva este ano, foi aprovada pelos agentes. Na avaliação de representantes das PCHs, do setor eólico e solar, o governo passou com essa medida a correta sinalização de continuidade de investimento para a cadeia de fornecimento. A questão agora é a de verificar os preços que serão ofertados e os volumes a serem contratados em um ambiente de sobrecontratação das distribuidoras e que poderá não atingir as expectativas de contratação anual de todos os segmentos.

 

Segundo o presidente executivo da AbraPCH, Paulo Arbex, a decisão do MME por promover um leilão de reserva exclusivo para a fonte é o primeiro passo que o setor precisa para recompor sua indústria. Agora, disse o executivo, a preocupação é com os volumes que serão contratados pelo governo. Ele comentou que o patamar mínimo de 500 MW anuais proposto em encontro com o ministério cerca de duas semanas atrás não deverá ser atendido até por conta da conjuntura das distribuidoras que estão com excesso de contratos.


“Precisamos desses 500 MW mínimos para salvar a indústria, talvez não dê no LER, podemos tentar no A-3 que foi publicado hoje também e que não temos informações de quais fontes serão contempladas nessa disputa para aí sim tentar formar essa base que procuramos. O A-3 poderá ser uma alternativa para alcançarmos esse patamar”, afirmou Arbex. Na questão de preços, o presidente executivo da Abragel, Marcio Severi, aponta que um patamar de R$ 280/MWh poderia atrair investidores interessados e, consequentemente, maior nível de competição entre os empreendedores. Esse, disse ele, não seria o preço final, mas aquele que traria iniciativa de atrair mais projetos e a partir daí a disputa por lances para viabilizar as usinas.


Já para a fonte que mais contratou projetos nos últimos anos, a eólica, a expectativa é positiva. E essa publicação, reiterou presidente executiva da ABEEólica, Élbia Gannoum, é importante porque vem em linha com o que o ministro e sua equipe estão afirmando. “O mercado vê com muito bons olhos, pois o governo mostra que entende as necessidades do setor como um todo. A importância dessa portaria é que dá o sinal de investimentos para um dos poucos setor da economia do Brasil que está crescendo”, comentou a executiva.


E em termos de perspectiva de contratação o clima é de otimismo. A entidade apresentou um estudo ao governo federal no qual aponta que o país tem uma necessidade de contratação de 2 GW médios nos leilões de reserva desse ano. Isso daria cerca de 4 GW em potência instalada. “Como somos a fonte mais competitiva e apresentamos a característica de ser renovável em um momento que o país busca retirar as térmicas mais caras e sujas da matriz que eram utilizadas como um seguro para o sistema, a eólica se mostra mais uma vez bem posicionada para a disputa, pois já mostrou que os projetos sempre respondem bem aos leilões”, comentou Élbia. “No ano passado, tivemos a contratação de 1,1 GW em potência, por isso é importante que tenhamos os 2 GW para a manutenção do sinal positivo de investimentos para toda a cadeia”, acrescentou.


Por sua vez, o presidente executivo da Absolar, Rodrigo Sauaia, destacou que a portaria dos leilões de reserva mostra que o governo tem atuado no sentido de atender as demandas do diversos segmentos do setor, mesmo em um cenário de redução de carga decorrente da retração da economia. A fonte solar fotovoltaica estava prevista para entrar nos dois leilões de reserva deste ano, mas agora ficou restrita ao evento de 16 de dezembro. E essa nova configuração poderá levar à contratação de um volume estimado entre 1 GW e 1,5 GW, portanto abaixo da meta pleiteada pela associação que é de 2 GW, volume para a continuidade da atração de investimentos da cadeia de fornecimento no Brasil.


“Somente o leilão de dezembro não é o ideal para o setor, nossa expectativa era de ter dois eventos destes. Mas, esse é o cenário real, temos que trabalhar no setor elétrico, o setor precisa compreender que 2016 e o ano da contratação real e não do ideal. Mas, para o ano seguinte precisamos de dois leilões e atender a  meta de 2 GW em 2017 para a continuidade do sinal de investimentos no país”, afirmou ele. Em sua avaliação, em função do atual cenário de atendimento de demanda das mais diversas fontes, todo o setor deverá encarar esse ano de forma a ceder um pouco suas metas.


O A-3 que ainda não apresentou dados mais específicos de fontes também poderá ser uma via alternativa para complementar a contratação da fonte, desde que seja colocado em um produto específico e não entre na disputa com outras fontes.

 

Nota da redação: matéria foi alterada em 29 de julho às 10h04 para correção de informação do número da portaria do MME que agendou as datas dos dois leilões de energia de reserva

 

Fonte: Canal Energia